terça-feira, 4 de junho de 2013

Calma.




[monet]
 
 
Respiro e penso: o que há em mim? Imersas e diversas palavras escondidas, trancadas, que gritam no silêncio profundo uma vontade: redescobrir. Pensar de dentro pra fora, como quem dedilha bolinhas em um papel branco e descobre um mundo submerso no escuro. Encontrar-se sem ver é arte de sensibilidade. A respiração presa e curta é o espelho da alma ofegante. Espero a calma mas não alcanço o tempo, que brinca comigo enquanto insisto em controla-lo. Ilusão de criança, que acha que todo dia é qualquer dia. E não será? Ando encontrando delicadeza, lendo palavras doces, ouvindo o som dos lugares, vendo aquilo que se mostra ali onde não vejo. Isso é encontro, encontro de calma. Respiro profundo: dez vezes. Quanto mais pressa tenho, mais o tempo me sobra. Sobra onde quero que suma. Some quando espero que sobre. O que quero do tempo é a paciência, não a minha, mas a dele comigo. Teimosia é querer atropelar as horas (ou enrola-las, se preferir). Entre uma respiração e outra, entre um dia e outro, entre uma pressa e outra vou aprendendo a calma, a calma do ponto que continua. Um ponto que continua sem vírgulas, numa urgência reticente de amar e viver.


R.

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