quinta-feira, 27 de junho de 2013

Adormecendo...





O medo só alcança o tempo até um certo ponto. A ânsia do depois vira uma espera paciente! A espera paciente é o depois do tempo que chega acalmando o que passou! De repente a espera é o andar da vida! E deixa de ser espera, de ser ansiedade e vira a calma, uma calma que assusta mas afaga. A gente ama o tanto que faz falta o amor. É na falta que você descobre o quanto seu não está mais aqui. O quanto de você esta lá com a outra metade de você que se encontra em outra metade por ai. Sinto muito a falta. Mas vou chamando a calma. Uma calma que vai me devolvendo partes da metade que deixei cair. Cada lagrima é uma cola que junta o pedacinho que chegou! Cada sono é uma anestesia da dor. A gente só sabe da força que tem quando percebe que é mais feliz que a tristeza. Eu sou assim: mais alegre do que triste! E isso me permite mergulhar no amor profundamente, mesmo que doa, mesmo que machuque, mesmo que depois eu decubra que não era amor, porque no fim eu sou mais alegre do que triste... e sonho antes de adormecer.

R.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Calma.




[monet]
 
 
Respiro e penso: o que há em mim? Imersas e diversas palavras escondidas, trancadas, que gritam no silêncio profundo uma vontade: redescobrir. Pensar de dentro pra fora, como quem dedilha bolinhas em um papel branco e descobre um mundo submerso no escuro. Encontrar-se sem ver é arte de sensibilidade. A respiração presa e curta é o espelho da alma ofegante. Espero a calma mas não alcanço o tempo, que brinca comigo enquanto insisto em controla-lo. Ilusão de criança, que acha que todo dia é qualquer dia. E não será? Ando encontrando delicadeza, lendo palavras doces, ouvindo o som dos lugares, vendo aquilo que se mostra ali onde não vejo. Isso é encontro, encontro de calma. Respiro profundo: dez vezes. Quanto mais pressa tenho, mais o tempo me sobra. Sobra onde quero que suma. Some quando espero que sobre. O que quero do tempo é a paciência, não a minha, mas a dele comigo. Teimosia é querer atropelar as horas (ou enrola-las, se preferir). Entre uma respiração e outra, entre um dia e outro, entre uma pressa e outra vou aprendendo a calma, a calma do ponto que continua. Um ponto que continua sem vírgulas, numa urgência reticente de amar e viver.


R.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Profundidades do mar.



[Salvador Dalí]


"Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto - e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras - quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo."

[Clarice Lispector]
 

  

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Re(to)mando...

[Vladimir Kush]


As palavras sempre me tomaram e passei alguns anos escrevendo sobre tudo que de alguma forma fazia parte de mim. E isso me fazia bem: saber o que eu tinha pra contar. Escrever é conversar com a alma, tirar as conclusões, puxar as ideias e chegar ao ponto que só nós mesmos poderíamos encontrar ali, no fundo profundo do nosso próprio ser.

Ultimamente venho me reeducando. Reeducando a me interessar pelos meus próprios pensamentos. Entre a mente e a palavra corre um rio sem fim. Um rio que afoga quando não aprendemos a profundidade, a força e onde a margem está quando estivermos cansados demais para nadar.

A pior coisa do mundo é ter medo de saber o que só a gente sabe (e pode) contar.

Alguns minutos digitando e o ponto que eu procurava começa a surgir, trazendo-me uma sensação deliciosa do caminho que sempre estivera aqui, esperando apenas os meus passos pra continuar a se abrir.


Rafaelle.